sábado, 28 de abril de 2018

Mais do que...

Quando pedi
Que sentasse ao meu lado,
Passivamente aceitasse.
E a inexistência da distância, 
Entre nossos corpos,
Não mais te assombrava.
Aquele olhar escuro
De resistência, frieza
De mulher forte
Forjada pelas dores do tempo,
Subitamente desapareceu.
Minhas palavras foram como mãos,
Abrindo aquelas cortinas pesadas
Da cor do sangue,  empoeiradas
Pelo sofrimento.
Atrás delas,  uma grande janela.
Trancada pelas mágoas e desesperanças.
Então,  sem esforço  algum,
Finalmente eu às abri.
Naquele momento teu olhar mudou subitamente.
Um olhar infinitamente  brando e Candido,  que me dizia,  em silêncio ::
"Eu quero
Eu preciso
Mas tenho medo.
Medo de que me abandones como sempre me abandonaram.
Eu quero que me abrace,
Mas eu preciso mais
Do que seu abraço. "


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