sábado, 28 de abril de 2018

Vontades Sortidas

Quando discorro palavras
à respeito de ti,
Sobre o tempo que meus pensamentos dispendem
à lembrar-se de ti,
Não que sejam palavras e pensamentos
impróprios ou em vão!
Porque tu existes de sobre maneira
Teus olhos,
Teu sorriso,
Teu jeito,
Tua lógica.
Mas que tudo de ti se completa
Na saudade e nas vontades sortidas
em momentos
Que tu sentes de mim.

Mais do que...

Quando pedi
Que sentasse ao meu lado,
Passivamente aceitasse.
E a inexistência da distância, 
Entre nossos corpos,
Não mais te assombrava.
Aquele olhar escuro
De resistência, frieza
De mulher forte
Forjada pelas dores do tempo,
Subitamente desapareceu.
Minhas palavras foram como mãos,
Abrindo aquelas cortinas pesadas
Da cor do sangue,  empoeiradas
Pelo sofrimento.
Atrás delas,  uma grande janela.
Trancada pelas mágoas e desesperanças.
Então,  sem esforço  algum,
Finalmente eu às abri.
Naquele momento teu olhar mudou subitamente.
Um olhar infinitamente  brando e Candido,  que me dizia,  em silêncio ::
"Eu quero
Eu preciso
Mas tenho medo.
Medo de que me abandones como sempre me abandonaram.
Eu quero que me abrace,
Mas eu preciso mais
Do que seu abraço. "


Motivos

Te conhecer,
A razão,
O caminho.
Onde
Reencontro
Fé,
Amor
E Força.
A cada dia. 
Me ensina
Sobre a vida
Um pouco
De cada vez.
Me acompanha
E não pare,
Jamais.






Volta

Volta
E traz...
A brisa
No teu perfume,
As sombras
Nos teu cabelos,
A alegria
No teu sorriso,
O frisson
No seu agito.
Agora
Que tens de volta
Os domingos
E feriados,
Outrora exilados
Da tua rotina.
Aproveita
A tua vida
Mas volta.



Essa Morena

Ah!
Essa morena...
Essa morena marca presença!
Ora Iemanjá,
Ora Gabriela,
Ira Iara Mãe d'Agua,
Ora Manhã,
Ora Tarde,
Ora Noite,
Não importa, tanta faz.
Mas essa morena marca presença
Como nenhuma outra.
Ah! Isso ela faz!

Um Pouco de Ti

Deixaste
em minha cama
um pouco de ti
O teu cheiro
fez morada
em meus lençóis,
perfumando
os meus sonhos
já escravizados
pela sua voz,
gemidos,
súplicas
e sussurros.
E desperto
respirando
o cheiro
da tua pele.
E fica então sacramentado,
na minha cama,
O momento
concreto do
encontro
de nossos corpos,
nos vestígios
da noite
que pereceram
em meu despertar,
na certeza
do pouco de ti
que em minha cama
deixaste...


Lua

Lua
Que fragmenta em pequenos cristais
a vidraça de minha janela,
Cúmplice da noite
Vestida de um negro veludo brilhante.
Brisa
Que singra e sangra
O distraído silêncio,
Enquanto estrelas ali esparsas,
Infantis e indolentes,
Ousam tentar roubar
A tua cena,
Lua.
Tu que sem licença
Risca trapézio notívago,
cinza triste,
Exato
Num chão de breu.
E de procurar
Em palavras desenhar
O momento,
Perder a preciosidade
Escrita no  lamento
De te perder
No céu,
Arrependimento
Sem juízo,
Porque não volta
O tempo.