Pretérito Amor
Mesmo que insistas em dizer
Que o passado não te alimenta,
Ainda sentes o desejo e a minha falta.
Na vontade do reencontro em sonhos furtivos,
Promessas adormecidas, de uma forma tolhida,
Mesmo que insistas em dizer
Que o passado não te alimenta.
Palavras escritas em uma carta
Que rasgaste em pedaços doloridos,
E que buscaste curar em braços inocentemente apaixonados por ti,
Que erroneamente te cativaram sem culpa.
Mas teus sonhos castrados ainda falam mais alto
Mesmo que insistas em dizer
Que o passado não te alimenta.
Ainda que palavras trocadas à distância,
Silenciosamente queres acreditar
Que a segurança firmada na impossibilidade do toque proteges a ti.
Pois que perece a certeza de que sucumbirias ao meu abraço,
Preteritamente presente,
Mesmo que insistas em dizer
Que o passado não te alimenta.
Enquanto vives esse teu amor presente
Ao qual não queres acorrentar a tua alma,
Por maior que seja a tua vontade,
O que viveste e escondeste em tua profunda tristeza surge
E faz sucumbir teu coração
De forma tão doce sufocante,
Ainda que insistas em dizer
Que o passado não te alimenta.
Quero acreditar
Que a tua devoção aos teus é uma cândida e grata devoção
Que teus vôos no céu infinito te dão a intensa felicidade,
Enquanto que eu aguardaria radiante
O teu pouso em minha janela.
E mais radiante seria a certeza que deixarias em mim
Do seu retorno,
Em momentos de total entrega,
Sem medo de encontrares no alvorecer aquela janela trancada,
Como tantas outras janelas,
Precavida que és,
Não ousaste mais adentrar...
Talvez a certeza desta liberdade
Ainda esconda a tua vontade retida,
que insistas em dizer
Que o passado não te alimenta.
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