A troca de olhar
Que atravessa o ar,
Os muros, os carros,
Pessoas comuns
E estranhas pessoas.
A escuridão repentina
Que não desfaz o elo
Eterno e único
Que reduz o tudo
Ao nada.
Olhares absurdamente radiantes e
Incansavelmente felizes.
Olhares absolutamente poderosos,
Magneticamente implacáveis,
Tornando infinito o instante
Em que se defrontaram.
Como se nada existisse no mundo
Além dos donos destes olhos,
Tornando infinito o instante
Em que se encontraram.
Olhar inesquecível ainda que momentâneo,
Olhar implacável,
Que consegue subjugar
Aos mais arredios
E astutos olhos.
Olhar que faz o outro confessar
Os desejos mais escondidos,
A vontade de se entregar
E unir-se Em um só
Sôpro de vida.
Percorrer os corpos sofregamente,
Sem as mãos,
Ainda que querendo
Possuir desesperadamente
Um ao outro,
E não poder.
Vencida a distância
Entre seus corpos,
Saciados os desejos
De suas carnes,
Esquecidas as barreiras
Que suas existências impõem,
Esquecem seus corpos
Fatigados e soltos
Lado a lado.
Os olhos
Antes vorazes
Agora repousam
Sobre a boca,
A tez,
O dorso,
As mãos,
Os cabelos,
Os braços.
Sobre cada fragmento
Do ser que há pouco
Ou muito tempo
Reciprocamente desejavam.
Até que então se fecham
E levam os donos destes olhos
A um sonho brando
E branco,
Dos quais certamente
Não se lembrarão.
Seus pensamentos
Também estão adormecidos
E esgotados.
Totalmente indefesos,
Entregues ao relento
E covardemente rendidos...
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