segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O olhar


A troca de olhar

Que atravessa o ar,

Os muros, os carros,

Pessoas comuns

E estranhas pessoas.

A escuridão repentina

Que não desfaz o elo

Eterno e único

Que reduz o tudo

Ao nada.

Olhares absurdamente radiantes e

Incansavelmente felizes.

Olhares absolutamente poderosos,

Magneticamente implacáveis,

Tornando infinito o instante

Em que se defrontaram.

Como se nada existisse no mundo

Além dos donos destes olhos,

Tornando infinito o instante

Em que se encontraram.

Olhar inesquecível ainda que momentâneo,

Olhar implacável,

Que consegue subjugar

Aos mais arredios

E astutos olhos.

Olhar que faz o outro confessar

Os desejos mais escondidos,

A vontade de se entregar

E unir-se Em um só

Sôpro de vida.

Percorrer os corpos sofregamente,

Sem as mãos,

Ainda que querendo

Possuir desesperadamente

Um ao outro,

E não poder.

Vencida a distância

Entre seus corpos,

Saciados os desejos

De suas carnes,

Esquecidas as barreiras

Que suas existências impõem,

Esquecem seus corpos

Fatigados e soltos

Lado a lado.

Os olhos

Antes vorazes

Agora repousam

Sobre a boca,

A tez,

O dorso,

As mãos,

Os cabelos,

Os braços.

Sobre cada fragmento

Do ser que há pouco

Ou muito tempo

Reciprocamente desejavam.

Até que então se fecham

E levam os donos destes olhos

A um sonho brando

E branco,

Dos quais certamente

Não se lembrarão.

Seus pensamentos

Também estão adormecidos

E esgotados.

Totalmente indefesos,

Entregues ao relento

E covardemente rendidos...

Por aquele olhar.

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