terça-feira, 15 de setembro de 2009

Inesquecível

Inesquecível é o momento

que em nossa vida acontece,

num rompante que não se espera,

num instante que não se planeja,

num olhar que nos paralisa,

num estranho sentir

de que se é seguido com os olhos

noite adentro

até a eterna espera,

ainda que finda em pouco tempo,

com a certeza de que o momento existiu

e se fez concreto.

Atiça

Quando algo

atiça meu sentir.

Cheiro,

visão,

lembrança,

canção.

Lugar,

euforia,

tristeza,

tesão.

Tudo

quando misticamente rebuscado.

Ou

apenas um,

petrificantemente dilacerado,

na solidão.

DAQUILO QUE NÃO FOI

Uma noite única,

justa na medida,

Do momento em que aconteceu.

A remissão dos desejos que ainda pairam inertes no tempo,

Imortalizados pela dança insinuante,

Num ritual d vontades tolhidas,

Petrificados pela incerteza,

pelo medo de se fazer sangrar as nossas vidas.

Meu corpo sente falta do teu abraço forte,

Das tuas pernas roçando nas minhas.

Sou vítima das minhas verdades,

para não fazer a alma alheia vítima,

Maior ainda,

Das vontades da minha carne.

Arrependimento inexiste,

Por que cada um entregou-se o quanto se podia.

Desejo permanece, porque a vontade,

Essa sim,

ainda existe.

Existiu, existe, existirá.

Temos consciência da pena,

Mas também tememos o tamanho da punição.

Tênue foi a linha que separou o desejo

Da minha boca pela tua,

Do meu corpo pelo teu corpo,

Mas a vontade...

A vontade

Ainda existe.

Vento

Da janela,

Abre teu sorriso

Para a ladeira.

De onde vêem-se montanhas,

De onde surgem os dias,

Uns

Após os outros.

Da janela

Tua voz fala da saudade,

Passiva saudade,

Que espera que eu mande te buscar.

Da janela bate o vento

Sala adentro.

Vento,

Brisa fria do inverno,

Triste desalento.

Poeira,

Que traz o vento.

Queria eu

Que fosse tu,

Ao menos uma vez,

Como o vento.

Que trouxesse para mim

De volta o teu sorriso.

Fosse tu,

O vento.

Pois que o vento leva,

Pois que o vento traz.

Vento não manda buscar,

Vento sopra pra longe,

Vento nasce do nada,

Leva.

Vento soprou daqui,

Para a ladeira distante,

O teu sorriso.

Deixou saudade.

Mas vento não volta.

Vento só vai,

Se dissipa,

Desaparece,

Morre o vento.

Vento nasce,

Vento nascente da ladeira,

Sorrateiramente,

Que sopra a passividade pelas frestas,

Subitamente enche teu coração de coragem,

E faz maior,

A tua vontade de chegar.

Pois que vento vem,

Vento traz.

Vento não manda buscar.

Tempo

Tempo que não passa

Através das frestas da janela.

Tempo que pára na sede

dos nossos corpos.

Tempo

que deixa talhada a lembrança

do prazer saciado em nossos gemidos.

Tempo que não passa

fazendo sangrar a saudade

de tua presença no meu sono.

Tempo que pára na infinita,

frenética angústia do reencontro.

Tempo que deixa a certeza

da força do sentimento,

que sufoca de paz,

felicidade,

verdade apaixonante ,

das nossas vidas.

Nave Bella

Se o cais do meu coração

Ficar esperando o dia que em que você chegar,

Que será da minha vida, um cais vazio na calmaria

Dos dias de brisa e sol,

E naves errantes que aqui querem atracar e não podem...

Se só você tiver a real certeza do caminho certo,

Que te faz singrar milagrosamente

Por entre corais e tormentas...

Quantas belas naves,

De velas rasgadas

Pela tempestade das desilusões,

Que navegam errantes

Em busca do abrigo de minha devoção,

Desconhecem o caminho iluminado,

Pela luz do farol,

Da minha vontade de amar...

Porque quando por aqui passam,

Não enxergam entre a escuridão e a névoa...

Porque só para essa bela nave, nave bela,

Ele quer brilhar...

Nave de nome...

Emanuella

Regato

Sublime ser
de intensa beleza,
imensa força
de mulher.
Fúria
de guerreira,
candura de mãe,
belíssima morenice,
vívida esperança perdida
em teu destino,
neste regato caudaloso
em cujo leito
cheio de pedras,
que marcam
as pequenas ondas

em seu triste leito,
que serpenteia o mundo,
que se encanta

com o reflexo brilhante
da passagem
deste veio de vida, resume a essência
deste sublime ser,
de intensa beleza,
imensa força
de mulher.

Sintonia e Saudade

A sintonia entre duas almas desconcerta

Os impuros,

Os indignos, infelizes e

Os hipócritas.

A saudade esmorece os corpos

Enquanto o tempo

corrói o desespero

Pela espera do reencontro.

Redención

El alma se termina,

findando la existência

del ser que rinde

su sangre,

por quien ama

sin fin.

Redenção

A alma se esvai,

Definhando a existência

Do ser que entrega

Seu sangue,

Por quem ama

Sem cessar.

Quase

Tocar a alma

Não tomar o corpo.

Ver o ser

Que se aproxima nsinuante,

Sentir sua energia extenuante

Ouvir suas dúbias súplicas.

Saciar sua sede,

Envolver seu corpo na dança.

Enebriar-se do seu suor,

Confundir-se e perder-se

Mais uma vez

Diante do não.

Querer acreditar

E estender meus dedos

Até seus cabelos,

Suas costas.

Sorver a sua garganta

Com Meus lábios.

Obedecendo sempre

Sua voz.

Desacatar

Um só pedido seu

Custou sua recusa eterna.

Ah!

Quem dera que,

Se ouvisse ,

Meu cantar em seu ouvido

Quando

Ordenasse-me,

Que Seus olhos

Imensamente azuis

Fechariam-se,

A minha boca

Tocaria a sua.

Quem sabe se

Nesse momento

Arrebataria seu corpo,

Acorrentando

Sua sede de carne.

Nas vêzes...


Das vêzes

Em que contigo estive,

Levo comigo

Sempre as lembranças.

De momentos

Fincados no ontem,

De sonhos

Semeados na saudade.

Das horas ao lado seu

Fica a certeza do amor,

Que abranda

A iniqüidade errante,

Que finda o medo

Da solidão.

Do futuro de nebulosas dúvidas

Exortadas por uma certeza única.

De que estamos juntos,

Da paz ,

Que sempre reinou,

Nas vêzes

em que contigo estive...

Pouco Me Importa

Pouco me importa

Teu silêncio

O que me importa

É que me escutes.

Pouco me importa

A demora de tuas respostas

O que me importa

È a eternidade delas,

Quando chegam.

Pouco me importa

Os dias que passo sem te ver

O que me importa

É o infinito instante

Em que posso te ver.

Pouco me importa

Os pequenos dissabores

Do meu dia a dia

O que me importa

É que dividas a tua

Grande dor comigo.

Começando com minhas palavras

O que faz um poeta

O que faz um poeta
é a esperança súbita
que se lança
sobre seus desatinos
desesperados,
sobre seu mundo outrora
inerte, estagnado.
E se faz então a luz...
Que caminha em sua direção
toma a sua mão
E põe-se o poeta
a escrever incansável,
sofregamente, resfolegante.
Mas não mais
escrever em vão.