terça-feira, 18 de maio de 2010

Dia Negro

Deixa o abutre comer meus restos,
o corvo saborear meus olhos.
Hoje quero vociferar contra Deus,
Quero mergulhar no mar raso,
deixar meu peito e meu dorso
rasgarem-se nos corais,
arderem submersos no
sal do mar.
Quero negativar o mais
que puder,
amaldiçoar a mulher
que me pariu.
Quero o ódio,
a inveja e o
cigarro a matar-me
um pouco mais em
cada trago margo,
entorpecer minha
impaciência e o
meu desgosto com
a vida.
Hoje quero regurgitar
o sangue, sentí-lo
subir por minha garganta
e espirrar para fora
enquanto meus olhos vermelhos
disseminam lágrimas
sem ar.
Hoje quero apenas
esperar o amanhã
chegar,
fechar os olhos
e pedir aos
fétidos a coragem
de fazer escorrer
a lãmina de aço
pelo meu pulso.
Assim talvez o amanhã
não chegue.

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