quinta-feira, 20 de maio de 2010

Commiphora

A imortalidade elementar
Que prometes a quem te colhe
Instigas ao Sol adorar
Promessa que não te acolhe,
Chão, terra racional,
Indecisa, um dia o bem
outro dia o mal.
Pois que aos sonhos não te apegas,
Vives a realidade rudimentar,
A lida diária para construir
tua sina concreta, dileta,
Que prometes a quem te colhe
A imortalidade elementar.

Pra quê a poesia?



Não te sintas pequena
Diante das palavras minhas
Pois que és grande demais
diante do meu plebe existir...
Pois que,
Para falar de ti
A poesia se faz
mais do que necessária,
ainda que pequena.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Dia Negro

Deixa o abutre comer meus restos,
o corvo saborear meus olhos.
Hoje quero vociferar contra Deus,
Quero mergulhar no mar raso,
deixar meu peito e meu dorso
rasgarem-se nos corais,
arderem submersos no
sal do mar.
Quero negativar o mais
que puder,
amaldiçoar a mulher
que me pariu.
Quero o ódio,
a inveja e o
cigarro a matar-me
um pouco mais em
cada trago margo,
entorpecer minha
impaciência e o
meu desgosto com
a vida.
Hoje quero regurgitar
o sangue, sentí-lo
subir por minha garganta
e espirrar para fora
enquanto meus olhos vermelhos
disseminam lágrimas
sem ar.
Hoje quero apenas
esperar o amanhã
chegar,
fechar os olhos
e pedir aos
fétidos a coragem
de fazer escorrer
a lãmina de aço
pelo meu pulso.
Assim talvez o amanhã
não chegue.